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Rússia declara organizações de Navalny como 'extremistas' e bane participação de seus integrantes nas eleições

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PUBLICIDADE Em abril, a Justiça russa já havia ordenado que a rede de grupos regionais de Navalny suspendesse as atividades . Na época, um tribunal já estava começando a considerar a proibição deles e da Fundação Anticorrupção

MOSCOU — A Justiça da Rússia declarou nesta quarta-feira que as organizações ligadas a Alexei Navalny, o mais conhecido opositor do presidente Vladimir Putin, são “extremistas”. A determinação proíbe essas entidades e até seus membros de participarem como candidatos independentes nas próximas eleições parlamentares de setembro.

A medida marca mais um episódio da dura perseguição judicial contra os aliados de Navalny — que está preso —, os funcionários das organizações, seus apoiadores ativos e até mesmo seus doadores. Agora, eles poderão enfrentar sentenças de mais de uma década de prisão, além de altas multas. O advogado responsável pelo caso, Ivan Pavlov, anunciou que apelará ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

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Navalni, que hoje cumpre pena de dois anos e meio por um caso de fraude fiscal ocorrido na década passada, e seus aliados denunciam que o processo que liquida suas organizações tem o objetivo de silenciá-los e apagá-los do mapa político russo. Apesar disso, o opositor afirmou esta quarta-feira, em um post no Instagram enviado por seu time da prisão, que sua luta para mudar a Rússia continuará ativa.

“Não somos um nome, nem um pedaço de papel, nem um escritório. Somos um grupo de pessoas que unem e organizam os cidadãos da Rússia que são contra a corrupção para conseguir tribunais justos e igualdade de todos perante a lei. São milhões”, disse. “E não iremos a lugar nenhum”.

O opositor é alvo recorrente de ações das autoridades, incluindo detenções, e sofreu uma tentativa de assassinato com o uso de uma substância, o Novichok , considerada arma química. O Kremlin nega qualquer participação no caso, ocorrido no ano passado, mas reprimiu duramente atos a favor da libertação de Navalny, logo depois de sua prisão, em janeiro, logo quando retornou da Alemanha, onde se recuperava do envenenamento .

A repressão policial da Rússia sobre os protestos pela libertação de Navalny e contra o governo Putin Manifestantes enfrentam policiais durante um protesto em apoio ao líder da oposição russo Alexei Navalny, em Moscou, Rússia Foto: MAXIM SHEMETOV / REUTERS Policiais detêm um homem durante uma manifestação em Moscou. Pelo menos 5.021 manifestantes foram presos em cerca de 50 cidades da Rússia Foto: MAXIM SHEMETOV / REUTERS Em Moscou, 1.167 pessoas doram detidas durante o segundo final de semana seguido de manifestações pela libertação do líder opositor Alexei Navalny e contra o governo de Vladimir Putin Foto: NATALIA KOLESNIKOVA / AFP polícia implementou um grande dispositivo de segurança e fechou o acesso ao centro de várias cidades Foto: MAXIM SHEMETOV / REUTERS Manifestante é detido por policiais durante uma manifestação em Moscou que reuniu milhares de pessoas neste domingo Foto: MAXIM SHEMETOV / REUTERS Pular PUBLICIDADE Manifestante faz um sinal de paz ao ser detido por policiais durante protesto em Moscou Foto: MAXIM SHEMETOV / REUTERS Protestos na Rússia são motivados pelo envenenamento de Navalny, em agosto, um ato creditado ao governo russo, e sua prisão, no dia 18 de janeiro, quando voltava da Alemanha, onde o líder da oposição recebeu tratamento médico Foto: ALEXANDER NEMENOV / AFP Manifestantes concentrados em rua da capital russa em apoio ao líder da oposição, Alexei Navalny Foto: MAXIM SHEMETOV / REUTERS Um manifestante usa um chapéu com as cores nacionais durante protesto em Moscou Foto: MAXIM SHEMETOV / REUTERS O governo de Vladimir Putin intensificou as ações contra o círculo do opositor nos últimos dias, na tentativa de conter novos protestos convocados para este domingo Foto: MAXIM SHEMETOV / REUTERS Pular PUBLICIDADE Um manifestante segura um cartaz com os dizeres "Liberdade para todos os presos políticos" durante uma manifestação em São Petersburgo Foto: ANTON VAGANOV / REUTERS Um manifestante grita na frente de policiais durante ato em São Petersburgo. Novas manifestações têm como pano de fundo a apresentação de Alexei Navalny perante os juízes, prevista para 2 de fevereiro Foto: ANTON VAGANOV / REUTERS Policiais bloqueiam manifestantes São Petersburgo. Prisões foram registreadas em outras metrópoles russas Foto: OLGA MALTSEVA / AFP “O Estado decidiu lutar contra qualquer organização independente com bombardeio total”, disse a Fundação Anticorrupção de Navalny, um dos grupos declarado “extremista” na quarta-feira, em uma postagem no Twitter.

PUBLICIDADE Em abril, a Justiça russa já havia ordenado que a rede de grupos regionais de Navalny suspendesse as atividades . Na época, um tribunal já estava começando a considerar a proibição deles e da Fundação Anticorrupção.

Na semana passada, o Parlamento da Rússia aprovou uma lei que deve barrar a participação de uma série de opositores nas eleições legislativas de setembro, vetando por cinco anos a participação no pleito de líderes de organizações consideradas “extremistas ou terroristas”, e por três anos de pessoas ligadas a esses grupos. O texto estabelece que caberá aos tribunais determinar o grau de ligação das pessoas com os grupos alegadamente extremistas, e se elas estarão sujeitas à inabilitação

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Navalny nunca conseguiu registrar um partido político, mas por meio de sua fundação e das poderosas investigações sobre a corrupção da elite política e econômica russa, ele criou uma rede de escritórios e delegações sem precedentes na “controlada democracia” russa, e que conseguiram promover protestos maciços contra o Kremlin. Encurralados, o plano de muitos dos aliados de Navalni tornou-se o ativismo independente. Alguns, como seu número dois, Lybov Sobol, aspiravam concorrer como candidatos independentes nas eleições parlamentares de setembro.

PUBLICIDADE Em um caso julgado com provas secretas e a portas fechadas, no qual os juízes não permitiram o depoimento de Navalny por videoconferência da prisão, a Procuradoria Superior de Moscou acusou as entidades vinculadas ao opositor de serem “coordenadas” por centros estrangeiros que realizam “ações destrutivas” contra a Rússia e organizam protestos para derrubar o governo, além de “envolver” menores de idade.

“Eles estão levando as pessoas às ruas para mudar o governo à força”, segundo uma transcrição da acusação publicada pela equipe de advogados da oposição.

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A lista de “organizações extremistas” da Rússia inclui grupos de extrema direita, organizações islâmicas, mas também movimentos religiosos, como as Testemunhas de Jeová, que, por exemplo, enfrentam perseguições em todo o país. Segundo organizações de direitos civis, o rótulo de extremista se tornou outra fórmula de repressão e uma ferramenta para silenciar dissidentes.

A decisão desta quarta-feira, que dá o golpe final nas organizações de Navalny e seus aliados pode aumentar ainda mais as tensões entre a Rússia e o Ocidente às vésperas de uma reunião entre Putin e o presidente dos EUA, Joe Biden, marcada para 16 de julho em Genebra, na Suíça, e na qual o caso Navalny está sobre a mesa.

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