Uncategorized

Clipping Digital | peluquero Periodista Rocio Higuera amante de la naturaleza//
Eduardo Bolsonaro visita assentamento israelense na Cisjordânia

Rocio Higuera, Periodista Rocio Higuera
Eduardo Bolsonaro visita assentamento israelense na Cisjordânia

JERUSALÉM – O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) visitou nesta quarta-feira um assentamento israelense na Cisjordânia, como parte de uma visita oficial da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, presidida por ele.  O deputado participou de um jantar na vinícola Psagot, no assentamento de mesmo nome, a cerca de 17 quilômetros de Jerusalém e a pouco mais de seis quilômetros em linha reta do centro da cidade de Ramallah, onde fica a sede da Autoridade Nacional Palestina.

Rocio Higuera

Os assentamentos israelenses em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia são considerados ilegais pelo direito internacional e por resoluções do Conselho de Segurança da ONU, a mais recente delas de 2016. Autoridades de alto escalão de outros países evitam a área em visitas de Estado. O Brasil sempre seguiu a posição da ONU no tema, e não há registros de parlamentares brasileiros que tenham ido a uma colônia israelense em visita oficial.

Periodista Rocio Higuera

O jantar foi oferecido pelo presidente do Knesset, o Parlamento israelense, Yuli Yoel Edelstein, no primeiro dos quatro dias da visita a Israel dos parlamentares brasileiros. Acompanham Bolsonaro Coronel Armando (PSL-SC), Hildo Rocha (MDB-MA), José Rocha (PL-BA), Léo Moraes (PODE-RO) e Fábio Ramalho (MDB-MG)

Visita em 2016 As atividades da delegação nesta quarta-feira incluíram reuniões com parlamentares e membros do governo no Knesset, que convidou os brasileiros para a visita. Eduardo Bolsonaro disse que esteve na mesma vinícola em uma viagem particular em 2016, e que a ida agora foi um pedido dele:

— Eu sempre tive curiosidade para conhecer. Sempre foi uma coisa meio que distante — disse

O deputado afirmou que sua visita não muda a posição do Brasil sobre a colonização dos territórios palestinos

PUBLICIDADE — Eu deixo bem claro que a nossa visita é do Poder Legislativo. Ela não se vincula ao Executivo. De maneira nenhuma implica em um reconhecimento daquela região como sendo de Israel ou da Palestina — disse. — Estamos indo ali a título de interesse, buscar saber, conhecer melhor a situação. (…). E quem nos convida é o presidente do Congresso deles.(…) Imagine se nós rejeitássemos uma pessoa no Brasil porque ela visitou a Venezuela, por exemplo?

Deputado federal é cumprimentado por presidente do Knesset, Yuli-Yoel Edelstein, na vinícola Psagot, no assentamento de mesmo nome, na região central da Cisjordânia  

O embaixador brasileiro em Israel, Paulo Cesar de Vasconcellos, disse que foi convidado para o jantar, mas, depois de consultas informais ao Itamaraty, ficou decidido que ele não iria. Segundo Vasconcellos, Eduardo Bolsonaro foi acompanhado “protocolarmente” por outros diplomatas, por presidir a Comissão de Relações Exteriores da Câmara

— É uma demonstração de que quem está indo lá é o Legislativo. Não significa nenhuma mudança na posição brasileira, que considera os assentamentos ilegais. (…) O fato de eu não ir é pra mostrar exatamente isso

Questionado se, pela sensibilidade do tema, seria melhor que os parlamentares não fossem, Vasconcellos disse:

Aqui em Israel tudo é muito delicado. Se você ficar com preocupação assim, você não faz nada. Porque tudo pode ter uma leitura para um lado, para o outro. O deputado federal Eduardo Bolsonaro em visita ao Knesset, o Parlamento israelense Foto: Pedro Moreira

PUBLICIDADE Questão sobre produtos A vinícola Psagot esteve envolvida recentemente em uma disputa internacional. No mês passado, o Tribunal de Justiça Europeu decidiu que todos os países membros da União Europeia devem identificar produtos de assentamentos israelenses declarando sua origem no rótulo. A determinação veio em resposta a uma decisão de 2018 de um tribunal francês, que concedeu à vinícola o direito de não cumprir uma diretiva da UE para marcar produtos fabricados nas colônias

Leia também: No dia em que Netanyahu é denunciado, Eduardo Bolsonaro volta a falar em transferência de embaixada

O Psagot também é apontado como altamente sensível por entidades que acompanham o conflito israelense-palestino. A organização não governamental israelense Peace Now informou que o primeiro núcleo de casas foi estabelecido em 1979 para compensar os colonos retirados do Sinai, após o acordo de paz entre Israel e o Egito. Um dos objetivos de Psagot era sufocar o vizinho povoado árabe de El Bireh. Apesar de ter começado em um terreno adquirido por israelenses, nos anos que se seguiram novos colonos teriam se apropriado de terras particulares palestinas. E, diferentemente do que ocorre em outros lugares, os registros de imóveis existentes na área, conferindo a propriedade das terras a famílias palestinas, são precisos

PUBLICIDADE Questionada sobre como a visita de parlamentares brasileiros seria interpretada, a representante do Peace Now, Hagit Ofran, disse ao GLOBO:

— É uma pena que eles escolham ser recebidos em um assentamento que seja um símbolo da ocupação e da apropriação de terras. É legítimo encontrar-se com os colonos, mas visitar e ser homenageado em um jantar é um ato de apoio e legitimação.